quinta-feira, 24 de março de 2011

Matemática para insanos

Sabe quando você precisa organizar alguma coisa na sua cabeça ou parar de pensar em algo e dá aquela balançada rápida na cabeça, como se os pensamentos fossem se organizar tipo ícones desalinhados num i-phone?

Pois então, algumas contas por aqui têm provocado esse tipo de movimento "reset":

Caso 1
Local: festa.
Objetivo: comprar uma cerveja.
Preço da cerveja: irrelevante.
Forma de pagamento: uma nota de R$20,00.
Atendente: "-Pooxa, eu não tenho troco para R$20,00. Mas peraí..."
Ela pega a nota de R$20, saca 2 notas de R$10,00 de dentro do caixa e entrega ao cliente. Depois, pega de volta uma das notas de R$10,00 e diz:
"-Proonto. Agora eu tenho troco!"
Cliente: sai com a ficha, o troco e balançando a cabeça no movimento reset.

Caso 2
Local: bar.
Objetivo: comprar uma cerveja.
Preço da cerveja: R$4,50.
Forma de pagamento: fiado.
Cliente: "Ô quirido, anota pra mim aí uma cerveja que tô sem dinheiro pra te pagar agora. Amanhã acerto contigo..."
Atendente: pega a cerveja e entrega ao cliente.
Cliente: "Faz assim, ó, amanhã eu vou te trazer R$50,00, então agora tu me dá a cerveja e o troco".
Atendente: "Ok". E entrega a cerveja e os R$45,50 para o cliente.
Pessoas no bar: observam e balançam a cabeça no movimento reset.

Caso 3
Local: posto de gasolina.
Objetivo: comprar cigarros.
Preço do cigarro: R$4,50.
Forma de pagamento: uma nota de R$10,00 e uma moeda de R$0,50.
Atendente: Entrega o cigarro, pega o dinheiro, saca 2 notas de R$2,00 e uma moeda de R$1,00 do caixa e diz: "-Me desculpe, não tenho nenhuma moeda de 50 centavos. Obrigada. Próximo?".
Cliente: Pega o troco, vira de costas, balança a cabeça em movimento reset e vira-se para a antendente: "Moça... acho que tem alguma coisa errada:
1) Eu te dei R$10,50, então você teria que me devolver R$6,00;
2) Eu te dei uma moeda de R$0,50, então pelo menos uma dessas você tem;
3) Não tem nem duas de R$0,25 ou cinco de R$0,10? Acho que também serviria.
4) Geralmente, na falta de troco, você não teria que me dar a mais?"
Atendente: movimento reset. Olha para o dinheiro. Movimento reset novamente. Abre o caixa. Movimento reset mais uma vez... "quanto é que eu tenho que te dar mesmo?".

Penso cá comigo...
Cada-um faz conta como qué.
Se o cada-qual de um cada-um conseguir ser igual ao cada-qual do outro, tudo certo.
Né não?


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nervosinha da Estrela

Ela faz cara feia por qualquer motivo.

Buzina e corta o trânsito pela manhã.

Não conversa antes das 11h.

Aperta a barriguinha, dá uma reclamadinha.

Com a testa franzida, acha tudo insuportável.

Vem com botões "cigarro", "chocolate", "elogio". Aperte para melhorar o humor.

Nervosinha da Estrela: ela vai ter vontade de enforcaaar você!

Ps.: Edição especial que briga com o namorado enquanto dorme. Corra para as melhores lojas!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Chegou o dia D

A medida em que a gente vai virando gente, vai ganhando, perdendo, adicionando e cortando pedaços. Esses pedaços definem não somente quem você é, mas como sua vida pode ser.

Hoje, fiquei sem 2 pedaços. Só 2, dos incontáveis que me fazem quem sou. Mas 2 que fizeram um buraco, hoje, maior do que eu. Não perdi nem cortei esses pedaços. Só não os tenho mais perto de mim.

Minha tristeza hoje é fruto do mais puro egoísmo. Esses 2 pedaços partiram para uma nova aventura, para um futuro bom e próspero. Como qualquer um que ama genuinamente, meu coração está feliz por eles. Mas está triste por mim. E por outros 5 pedaços também meus que dividem comigo esse vazio de hoje. Egoísmo nosso, justificado nas palavras de Oscar Wilde, que define esse substantivo não como viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.

Como bons seres humanos adaptáveis, sabemos que a tristeza vai se diluir logo, a saudade vai deixar de doer e, em breve, estaremos dividindo nossas vidas de novo sem a lembrança da partida ou da distância. Tenho experiência nisso. É plenamente possível fazer parte da vida de alguém que está em outro continente, e "afego" não é inversamente proporcional à distância.

Clá,

Quando eu morri, apesar da brincadeira, você me disse coisas marcantes. Uma delas, foi que era uma pena ter acontecido tão rápido, porque você não teve tempo de me dizer o quanto aprendeu comigo. Gata, algumas das maiores lições que absorvi nesses últimos 2 anos foram com você. Principalmente, aprendi que não importa o quanto você pensa que é diferente de uma pessoa, não importa o quanto as primeiras interações sejam desastradas ou desconfortáveis, vale a pena ficar e conferir como ela pode ser tudo que você precisa em vários momentos. A tua presença espontânea, leve, ácida e frenética foi meu conforto inúmeras vezes. Obrigada pelas crises de riso e por me fazer ir ao Beto Carreiro. Você é meu pedaço colorido.

Ty,

My work husband. É complicado ficar me declarando pra você sabendo que tua noiva e meu namorado passam por aqui com frequência. Mas não é segredo pra ninguém que você é um dos caras mais importantes da minha vida. Tua amizade tem uma importância imensurável pra mim. Você sabe quando falar comigo ou não. Você sabe quando eu to com cara de quem vai virar abóbora. E você até joga sinuca um pouco melhor do que eu! =p. Nos últimos tempos, aliás, em todos os tempos que eu lembro, nosso trabalho significou energia, tempo, responsabilidades e preocupações um pouco acima do que estávamos acostumados. Não sei se teria sobrevivido sem ti. Não porque não teria competência, mas porque não teria sanidade e humor pra isso. Dizer obrigada pra você por cada coisa vai demorar muito. Te pago uma cerveja assim que der, pode ser? Porque a gente se entende assim. Menos palavras. E nesse ponto elas não fazem falta. Como teu padrinho, preciso te lembrar pra ter juízo, ok? Nada de bungee jumps malucos! Você é meu pedaço Bob Dylan.

Hi five triângulo pra vocês!

sábado, 1 de janeiro de 2011

1.1.11

Meu 2010 começou em Rio Negrinho. Eu usava uma calça preta, a mesma que tinha usado durante o dia inteiro, e no dia anterior. Tinha nos pés um tênis emprestado, imundo dos últimos dias de chuva e barro. Usava também um casaco cinza de lã, não muito novo. A cor da calcinha... Não faço ideia. Ao meu redor, 5 grandes amigos e mais uma porção de gente bacana.

Aí, em março, eu terminei uma faculdade. Formatura longa, com pais orgulhosos e seguida de baile.

Ao me formar, ganhei meu primeiro carro. Presente do meu pai (e da minha avó, de alguma forma).

Logo em seguida, fui para a Europa pela primeira vez. Encontrei meu namorado em Paris. Viajamos também para Praga, para Bruxelas e para Bruges.

Logo que voltei, completei 25 anos.

Em agosto, peguei as chaves do meu apartamento, comprado com anos de economia para a entrada, mais outros muitos de financiamento.

Então, em setembro, fui enviada a Atenas para um congresso do trabalho. Oportunidade maravilhosa de crescimento profissional, com viagem à Grécia de lambuja.

Depois da conferência, aproveitei pra tirar mais uma folga com o gato, e viajamos alguns dias por Mykonos e Atenas.

Ao voltar pra casa, muito trabalho. Mas muito mesmo. Não que eu não tivesse trabalhado até então, mas o ritmo foi intenso. Foram vários desafios, alguns erros, alguns bons acertos, muitos cigarros e, noves fora, tudo deu certo.

Ontem, eu estava com um vestido cor-de-rosa e sandália rasteirinha. Cabelos soltos, parecia a Barbie. Novamente, eu estava rodeada dos mesmos 5 amigos, mais 2 pessoas bacanas da virada anterior que tornaram-se bons amigos, mais outra porção de gente bacana.

Não lembro bem o que desejei na virada para 2010. Lembro sim de quem estava comigo, e de como tudo foi tão divertido e marcante.

Ontem também foi assim. Quando nossa meia noite passou, o que eu queria era abraçar quem estava comigo, e dividir toda a alegria que tive em 2010, esperando que cada um daqueles abraços pudesse ajudar a compartilhar tanta coisa boa que aconteceu comigo.

No primeiro dia de ano novo, faço isso aqui também. Divido minha alegria, e espero que ela se multiplique pra você. Seja feliz em 2011!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Então é Natal

E o que você fez? O ano termina, e a Simone outra vez...
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Todo mundo tem uma história de Natal inesquecível.
Aqui vai uma das minhas.

Foi em 1990.
Meu pai levou a mim e ao meu irmão na Praça (um dos bairros de Urubici, onde morávamos), porque parece que o Papai Noel estava por ali. A mãe tava no banho, e não pode ir junto, tadinha...
Demos uma volta na Praça, mas nada do bom velhinho...
Quando estávamos descendo a rua de casa o pai deu um grito, que tinha visto o Papai Noel pulando a janela lá de casa.
Corremos tanto que não sobrou nem fôlego pra gritar pra mãe segurá-lo.

Chegamos tarde. Ele já tinha passado.

Embaixo do pinheirinho... nossa!
O bom velhinho tinha usado algumas das travessas da mãe pra colocar os presentes dentro.
Para cada um, uma travessa cheia de coisinhas pequeninas.
Havia guloseimas... as nossas preferidas: balas soft, chocolate de guarda-chuva, pastilhas coloridas (aquelas com 7 no pacote, meio cítricas), uma ou duas barras de chocolate surpresa (da série dos bichos), muita 7 belo e pirulitos em formato de chupeta.
Havia também brinquedinhos. Lembro de uma tartaruguinha que a gente dava corda e ela nadava no tanque. Lembro também de um apito em formato de passarinho... mas não lembro dos outros.

Sei que os tivemos por um bom tempo depois desse Natal. Eles inclusive se mudaram pra Porto Alegre com a gente no ano seguinte.

Meus pais devem ter gasto pouco mesmo (até porque havia pouco pra gastar), mas o objetivo do texto não é a discussão "capitalismo vs. felicidade, a utopia possível".

A vontade de dividir essa história é porque lembrar desse Natal até hoje me deixa feliz. E me dá vontade de brincar com a tartaruguinha. E de comer bala soft.

Outros Natais também foram bons. Mas esse foi um dos mais surpreendentes.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mazembe?.... Mazembe?

Sim, Mazembe.

Fazer o quê? Me descabelar? Ficar de mal com quem quiser tocar flauta?
Ahh, pára! Bem capaz!

O que faz do futebol essa mania toda é justamente o fato de, no final das contas, haver sempre um perdedor e um ganhador.
É o momento em que zoar a derrota do outro não é bullying; um momento em que você tem autorização pra ser do mal.

E não me entendam errado. Abomino violência, principalmente a que rola entre torcidas organizadas. Não é dessa estupidez primata que estou falando.

Falo do quanto o futebol nos dá autorização pra posar de melhor do mundo, pra debochar dos mais fracos, pra expor os erros dos outros (times, jogadores, técnicos) em praça pública e dar risada disso. É praticamente um alvará de soltura para o gênio mal que vive (às vezes não tão escondido) dentro de cada um.

Então, não. Não me importo. Toca flauta ae!
Se tivéssemos ganho, vocês é que teriam que me aguentar.
Nada mais que justo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu tenho um sonho!

Sim, eu tenho. Um sonho bem desagradável que insiste em perturbar minhas noites com certa frequência. Alguns detalhes mudam, mas o enredo é sempre o mesmo, e não é legal. Não é de terror ou morte... Nada que me faça acordar gritando.

Mas é doído. Acordo magoada, incomodada e quase resignada, tentando aceitar a situação.

Nesses dias, fico feliz quando chega a hora de acordar pra ir ao trabalho. Levantar da cama e lavar o rosto faz com que o sonho vá embora, e eu não acho mais que ele é de verdade.

Acho que chega de adiar a terapia.