terça-feira, 3 de março de 2009

Diário de BsAs, 2ª ediçao.

Se você fosse você e nao me conhecesse bem, me convidaria pra almoçar?
...

No mais, gostando bastante da cidade sim.
Principalmente da intensidade dos argentinos. É diferente... a eles tudo "encanta", "es muy rico", "es lo mas divertido"... vocês "no van a creer!"...

Dá pra entender parcialmente a "febre de buenos aires" que muita gente pega quando vêm pra cá. Acho que tem a ver com o jeito de comunicar dos argentinos. Tudo muito intenso. "Un espeCtáculo!".

Escreveria mais, mas fiquei de me levar pra almoçar. Tenho me feito muita companhia ultimamente. Sou legal, quase na maioria das vezes. To descobrindo cada coisa...
Até mais!
besos

Você tem medo de que?

Medo. Ta aí uma das coisas mais relativas que conheço. Varia de complemento nominal (quem tem, tem de alguma coisa) e de intensidade pra cada um. E vai de temas completamente subjetivos, como o “medo do desconhecido”, até o objetivo inegável: o desconhecido, segurando uma arma apontada pra tua cabeça, por exemplo.


Uns dizem que enfrentá-lo (o medo!! Nunca enfrente desconhecidos que te apontam armas!) é a única forma de ser livre. Mas mesmo assim, lidar com ele não significa que ele vai deixar de existir.


É uma ferramenta essencial pra sobrevivência, afinal, sem ele nos privaríamos de algumas limitações e viveríamos como cartoons (que, aliás, estão cada vez mais neuróticos, indestrutíveis e chatos); a diferença é que, se o coiote cai de vários metros de altura perseguindo o papa léguas e sofre apenas um achatamento temporário na cabeça, comigo eu não tenho certeza se seria bem assim.

Também é uma escada rolante pra insanidade, dependendo de o quão prejudicado é cristão.


Intrigante é que, procurando direito, sempre se encontra o motivo pelo qual o ritmo cardíaco dispara, se treme involuntariamente de dentro pra fora, as pupilas se dilatam e a gente começa a prender a respiração. Mas mesmo assim, encontrar a explicação racional pra um medo em absoluto significa que ele vai deixar de existir ou se amenizar. Haha... E a gente sempre tentando racionalizar o medo dos outros e tentar fazê-los entender de que tá tudo bem, o escuro é só ausência de luz, uma barata é só um inseto e uma injeção é só uma picadinha. Tenta você dizer pra si mesmo que “não dá nada” e vê se te convence!


Filosofias a parte, compartilho alguns medos agora (afinal, pra que mais serve um blog do que pra repartir os mais embaraçosos defeitos, escondidos atrás da pose de “eu sou normal, tenho problemas, mas pelo menos os (des)escrevo bunitinho”?).

  • Tenho medo de cobras. Medo paralisante. E, por favor (por favor), nem pense em brincar com esse. Fico de muito mau humor quando me assusto.
  • Tempestades em mar aberto me deixam em pânico (e a quem não deixam?). É o que me faz fechar os olhos e me encolher no ombro do namorado no cinema ou no sofá.
  • Também me apavora a probabilidade de ficar sem ar. Não chega a ser claustrofobia (ainda), mas já fico meio incomodada em entrar em túneis, cavernas muito profundas ou muito estreitas... Submarinos? Dopada e amarrada, quem sabe.
  • E, por fim, e talvez o mais vexaminoso, depois de alguns desfechos não muito felizes em relacionamentos anteriores, experimento um medo constante de que my-beloved-one simplesmente se vire pra mim e diga: “Quer saber? Cansei!”. Não é um medo tão forte quanto o de dar de cara com uma serpente, estar presente em um naufrágio ou ser enterrada viva, mas é o mais presente.

E não é nem que eu ache que não consiga sobreviver ou coisa assim... Mas, como já disse, por mais que tenha tudo muito racionalizado, o medo simplesmente não vai embora.

Bueno... pessoas têm medo de coisas que pessoas nem imaginam. Minha tia tem medo de escada rolante. Meu irmao tinha medo do chupa-cabras. Eu tenho medo de submarinos... E você? Tem medo de que?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Diario de BsAs, 1ª ediçao.

Quando descí do aviao no aeroporto de Ezeiza: tchê, que calor!!!!

No caminho para Arenales, 2547 (meu endereço nas próximas 3 semanas): tchê, que calor mesmo!!!

Fui recebida pela dona da casa e pela filha do meio, muito amáveis! Na verdade, até agora, todos aqui me parecem muito amáveis. Povo gentil, esse!
Me acomodei e logo elas e o filho mais velho me levaram para conhecer o bairro.

Imagina assim... aquele movimento de cidade grande, bem calor, eu cansada dos vôos e esperas, o idioma novo e várias voltas caminhando... Voltei pra casa meio tonta!
Sinceramente nao deu pra aproveitar muito o passeio. Mas gostei da companhia... está me parecendo que ñ vou ter muito disso por aqui.

Dia seguinte: trabalho! Menos do que estou acostumada... mas nada que se possa reclamar.

2 observaçoes:
1- Esses argentinos sao saidinhos, hein? Cara, toda a esquina que tu passas um cara mexe contigo. E olha que fico longe das top 5000 por aqui... mas sei lá. Dica para las chicas: se vc fica envergonhada cmo eu quando alguém mexe contigo na rua quando está sozinha, saia de fones de ouvido.
2- Aqui tem muito "paseador de perro" (uma figura que leva um monte de cachorro pra passear de uma vez só). É bizarro ver uns caras, e principalmente umas gurias, passando na rua com uns 10 cachorros, pelo menos, pela coleira. Ow, e cachorros grandes, hein!!!
Dá uma vontade de soltar um gato na frente só pra ver o que acontece... heheheh

Turistei bastante no final de semana:
Jd. Botânico, Jd. Japonês, Pq. 3 de Febrero, Museo Municipal de me-esqueci-o-nome, planetário, Pq de los Libres, Cemitério da Recoleta, Feria de San Telmo, Casa Rosada, Catedral, Obelisco...
O que mais vi? Estátuas com homens montados em cavalos (em cada esquina tem uma) e turistas. Muito brasileiro, muita gente falando algo que eu julgaria árabe, e, óbvio, muita gente falando inglês.
A cidade ñ tem um só tipo... a diversidade é imensa. Eu ñ consigo olhar uma pessoa aqui e, pela aparência física, dizer que é nativo...
Agora eles olham pra mim e acham que sou alema, sueca, holandesa... O primeiro idioma que tentam é o inglês (o que ñ é nenhuma desvantagem, pq me saio melhor do que com o español).

Bueno... terei mil coisas pra contar. Vou tentar ñ fazer tudo de uma vez pra vcs ñ cansarem, ok?
Me escrevam... Tenho saudades!
Besos

Ah, ah... um segredo: a casa rosada, por dentro, é amarela!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Lembram de mim?

Pois eh... faz tempo, né?

Aquela sensaçao estranha... Assim como ñ vi o tempo passar desde o último post até hj, tb parece que aconteceu tanta coisa...
Enfim, filosofias a parte...
Já desejei um feliz 2009 pra todos?
Bueno... Que seja! De coraçao!

Por mim, digo que meu feliz 2009 já aconteceu, e que o que vier daqui pra frente é lucro.
Sim, sim... meus amigos! Esses 51 dias que se passaram já foram palco de algumas realizaçoes...
Listo-as:
- D. Célia conseguiu dar cabo de outro câncer (and God forbid me, I didn´t believe she would!);
- A Kaká conseguiu passar no vestibular de Medicida de UFRGS (conquista dela, muy merecida);
- A feijoada da Bia, o churras do Luis, o aniver da Rita, a festa do fim do Fabián, praia, filme, cervejinha lá em casa e algumas amizades que valeram pelo verao;
- O encerramento daquele projeto que parecia que ñ ia acabar mais;
- O fato que que agora faltam menos de 30 dias pro meu moreno voltar, e...
- El vuelo 8020 (leia-se ochenta-veinte) que me ha trazido a la Buenos Aires querida de mucha gente!

Quero mais o que?
Só tenho que agradecer... só isso! Me atrevo a pedir mais nada ñ!
(talvez que alguém me mostre onde fica o til desse teclado, mas isso tb nem é taaao fundamental isso).

Ps. Ñ citei a Pine e a Pri, mas vcs sabem que moram no meu coraçao, né? Tao cuidando bem do nosso ap?
Besos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

É Natal!!!

Tanto tempo passou; tanta coisa gostaria de ter dito.

- um negro se elegeu pra presidente do país que é o dono do parquinho;

- crimes passionais cometidos por adolescentes que não estavam preparados para relacionamentos;

- crise econômica;

- algumas reeleições inacreditáveis (e outras eleições, mais ainda);

- meu retorno à vida esportiva;

- a partida dele...

Mas hoje tem outro assunto por aí, e apesar de saber que tá todo mundo cansado de ouvir falar nisso, queria fazer algumas observações...

Há praticamente 10 dias algumas cidades do interior de Santa Catarina estão sendo atingidas pelo que estão chamando de maior desastre natural de todos os tempos na região.

É, gente... tá feio mesmo.

As previsões não são nada boas e o problema não é só chuva, mas também toda a terra que está vindo abaixo. Mesmo depois que parar de chover e desabar coisa, dificilmente tudo vai voltar a ser o que foi um dia.

Estive fora de SC por quase 5 dias. Por onde passava, a reação era a mesma ao saber que “sou” de Floripa.

A comoção é nacional. Não há como dizer que isso não é tocante. Até quem tem muito pouco tá tentando ajudar.

Faz lembrar de como a sociedade deveria ser por natureza, ainda mais em um país grande e pobre como o nosso.

E pro comércio, o Natal já começou. Lojas decoradas e o velho cd da Simone rodando no repeat.

Vou pedir licença pra bancar a pregadora.

Não que eu não goste... na real, eu sou uma das infectadas pelo bichinho do consumismo. Ah... vai, é tri bom comprar o que tu tens vontade depois de ter trabalhado tanto pra ter aquele dinheirinho.

Mas, nesse dezembro que começa úmido, embarrado e triste por aqui, me pergunto o quanto minhas compras de Natal são realmente necessárias.

Num é um saco quando você perde alguma coisa que gosta? Qualquer coisa, vai... um chaveiro, uma roupa, uma caneta... Não, e quando perde um documento? Meu, que saco! Mó trabalhão pra fazer de novo...

Pois é... vocês já perceberam onde eu quero chegar.

Casas inteiras vieram abaixo. Quase 30 mil desabrigados até agora.

Essas pessoas não têm mais certidão de nascimento, fotos de infância, as roupas de que gostavam, os eletrodomésticos que talvez ainda nem estejam totalmente pagos... E eles não têm mais uma casa pra voltar.

Não te deixa em pânico!

Ver a mobilização geral dá esperança. E faz lembrar o que é mesmo o espírito de Natal.

Se tu não tens como ajudar as vítimas da tragédia em SC, pelo menos tenta ajudar alguém que tá perto de ti. Sempre tem alguém precisando de ajuda. Doe comida, roupa, tempo, carinho, orações. Doe!

Pra mim e pra ti é só um gesto nobre. Pra quem tá recebendo, pode ser a única saída.

sábado, 6 de setembro de 2008

Ouve um canto gauchesco e brasileiro, desta terra que eu amei desde guri!

2h da manhã.

Acabei de chegar em casa.
To mais angustiada do que véia em canoa!
Não vou conseguir dormir se não tirar as palavras da cabeça... Portanto, sobrou pra vocês! (ó moscas presentes nesse blog abandonado!).

Já falei aqui uma vez, de forma bem lúdica, sobre a rivalidade entre gaúchos e catarinenses.
Hoje a abordagem é outra: vamos falar de preconceito e ignorância.

Gaúcho é metido? Se acha melhor que todo mundo?
Sim.

Tu conheces a cultura gaúcha? Conheces o Rio Grande do Sul? Sabes como somo educados pra ter um imenso orgulho de tudo que nosso povo fez? Dos nossos costumes, nosso folclore, de nossa história, seja ela do teu interesse ou não?
Pois é... se tu não conheces, me desculpa! Mas pensar que gaúcho não presta é puro preconceito.

Tu achas que chamar de preto e de bichinha é feio e errado. Mas não tem vergonha de sair por aí dizendo que alguém que nasceu em uma região geográfica diferente e que foi educado de maneira a dar valor a essa região é o pior povo do mundo, que temos problemas com sexualidade e, como é, "temos hábitos ridículos".
Pois bem, meu bem, saibas que és um preconceituoso ignorante do mesmo jeito. Igualzinho àqueles que queimam índios, que acham que lugar de mulher é no tanque e que colocaram judeus pra fritar numa câmara de gás!

Explico. Estive hoje em uma reunião entre amigos que não eram meus. Fui convidada, já adianto. Em certo momento, como em qualquer churrasco (olha só, que palavra familiar essa!!! De onde será que vem?), começou a papagaiada de que gaúcho não presta, que são um povo insuportável, e todas as várias piadinhas baixas que vocês devem conhecer bastante.
Era uma estranha. Fiquei quieta. Até porque já cansei de perder meu tempo com discussões improdutivas como esta. Mas não parou por aí. Os presentes não sabiam que eu era gaúcha. Souberam. Pararam? Claro que não. Pelo contrário, só aumentou.

Agora eu pergunto: tu conheces o Rio Grande do Sul? Já foste pra lá? Por que olha, meu povo pode ser tudo, menos mal educado. Tua terra pode ter o problema que tiver, mas se um catarinense estiver no meio de vários gaúchos, ninguém vai falar mal daqui ou do teu povo, pelo contrário! Por vários motivos, mas o principal deles: por que temos educação!!!
Podemos ser grossos! Somos sim! Isso vem do sotaque diferente e da forma como nos comunicamos, soa estranho. Mas te garanto que ninguém vai te fazer se sentir mal por não ser dali. Nisso tu podes confiar. Um gaúcho não vai te maltratar porque tu não és local. Hospitalidade também se aprende, junto com chimarrão 1 e 2 e revolução farroupilha.

Faz assim, antes de falar mal do meu povo, do meu estado ou da minha cultura, me fala um pouco da tua. É diferente, mas é tua. A minha eu conheço, não pedi tua opinião.

Quer falar mal? Fala do que conhece. Senão, soa como ignorância, despeito, preconceito.
E tu podes reparar: vocês se juntam pra falar mal do povo gaúcho, ou do paulista, ou do nordestino. Nunca é pra falar bem do seu!

Deve ser meio vazio, né?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"I know I'll often stop and think about them"

There are places I'll remember all my life,
though some have changed.
Some forever, not for better.
Some have gone and some remain.
All these places have their moments
with lovers and friends I still can recall
some are dead and some are living
in my life I've loved them all.

Da conhecida série ‘músicas que falam por mim’, essa é uma das mais tagarelas.
Existem lugares especiais, pessoas marcantes e momentos inesquecíveis de cada fase, pra todo mundo. Se o destino desses momentos é tornarem-se história, é importante estar atento à linha do tempo.
Tem que saber desprender, deixar ir embora, aceitar que momentos PASSAM.
É triste ficar preso ao passado. É entediante e alienador. Estraga o bonito das memórias.
Eu adorava as férias em Urubici quando tinha 10 anos. Eu adorei começar a ensaiar no ensino fundamental o que é, em parte, hoje, meu comportamento social; e vivi cada coisa no terceirão e nos primeiros anos de faculdade no RS que chega a vir aquele suspiro. Conheci coisas e pessoas que ajudaram a moldar o que sou hoje (seja isso bom ou não).
Mas, thank God!, as coisas mudam, e a gente muda com elas. É uma delícia reencontrar lugares e personagens do passado. E é melhor ainda ter a consciência de que aquilo foi bom, passou e tu estás melhor agora.
Nostalgia é bom. E a vontade de voltar a ser o que foi um dia ou querer que aquele momento seja eterno até acontece. Assim como às vezes dá vontade de bater com a cabeça de alguém na parede. I mean, não é porque dá vontade que tu vais parar no tempo ou sair por aí agredindo quem te dá nos nervos.
Não to dizendo que tudo é passageiro, mas de certa maneira...
Assim: D. Lúcia não está casada há 25 anos com o mesmo Sr. Luis que conheceu no início dos anos 80. Se ela tivesse tentado isso, talvez não tivesse durado. E o inverso também é verdade.
To querendo dizer que as coisas têm que mudar... E pra ficar em paz, a gente tem que aprender a mudar com elas.
Do contrário, vais acabar sendo aquelas pessoas que só saberão usar pretérito ou futuro pra responder: e felicidade?
Eu fui/era feliz quando...
Eu serei feliz quando...
Lamentável.

Olha muito pro passado não. Procura algo que te prenda no agora, mas somente tempo o suficiente pra ser feliz até a próxima. Se não encontrares, procura direito! Se não achar mesmo, corre atrás... táx perdendo tempo e história, nego!

Missed you guys!
See you soon (hopefully).